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Jornalista saudita assassinado

CIA conclui que príncipe saudita ordenou assassinato de Jamal Khashoggi, diz jornal

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Foto: Divulgação

O jornal americano “Washington Post” noticiou na noite desta sexta-feira que um inquérito da CIA concluiu que o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman (MBS), ordenou o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, morto no consulado do país em Istambul no mês passado.

A informação contraria a mais recente versão apresentada pelo governo saudita, que, depois de mudar várias vezes, atualmente sustenta que o jornalista foi morto após uma briga, em uma missão com o propósito de conduzi-lo a Riad por meio de persuasão, ou se necessário, da força.

De acordo com funcionários ouvidos pelo “Post”, a investigação da CIA examinou várias fontes de informação, incluindo uma ligação entre Khalid bin Salman, irmão de MBS e embaixador nos EUA, e Khashoggi. O diplomata teria dito ao jornalista para ir até o consulado, que haveria garantias à sua segurança.

Uma equipe de 15 funcionários sauditas, incluindo pessoas do alto círculo médico de Riad e funcionários próximos ao príncipe herdeiro, desembarcou em Istambul no dia do assassinato, chegando em uma avião saudita. O jornalista fora ao consulado buscar documentos necessários ao seu casamento com a sua noiva turca.

Segundo o jornal, não está claro se Khalid sabia que Khashoggi seria assassinado, mas ele fez a ligação por ordem de seu irmão. A ligação teria sido interceptada pela inteligência americana.

A conclusão da agência é de que o príncipe herdeiro estava ciente da ordem para matar Khashoggi, diz o jornal, citando funcionários do governo não identificados.

"A posição aceita [pela CIA] é de que não há como isso pudesse acontecer sem que ele soubesse ou estivesse envolvido", afirma um funcionário não identificado.

No Twitter, Kalhid afirmou que as informações do jornal sobre o telefonema são falsas e pediu para que sejam divulgadas.

"Como falei ao 'Washington Post', o último contato que tive com Khashoggi foi por mensagem de texto, no dia 26 de outubro de 2017. Eu nunca conversei com ele por telefone e com certeza nunca sugeri que fosse à Turquia por qualquer motivo. Eu peço para o governo americano liberar qualquer informação sobre essa alegação", escreveu.

O irmão de Salman também afirmou que o jornal não publicou a sua resposta inteira e divulgou uma nota que acrescenta ainda que "vocês são bem vindos para verificar nossos registros telefônicos e o conteúdo de nossos celulares para corroborar isso — neste caso, vocês precisariam pedi-los às autoridades turcas, como o nosso procurador público o fez várias vezes, sem utilidade".

Antes disso, “Post” diz que a porta-voz da embaixada saudita em Washington, Fatimah Baeshen, afirmou que o embaixador e Khashoggi não discutiram nada sobre “ir à Turquia”. Ela afirmou que as alegações no “suposto relatório” da CIA são falsos.

— Nós escutamos e continuaremos a escutar várias teorias, sem ver a base primária para essas especulações — afirmou.

Antes do desaparecimento de Khashoggi em outubro, posteriormente confirmado como um assassinato, MBS tentava promover uma imagem internacional de reformista. Dentre as medidas instituídas por ele está a autorização para mulheres dirigirem.

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